' Falta tanta coisa na minha janela como uma praia, falta tanta coisa na memória como o rosto dele*, falta tanto tempo no relógio quanto uma semana, sobra tanta falta de paciência que me desespero. Sobram tantas meias-verdades que guardo pra mim mesma*, sobram tantos medos que nem me protejo mais, sobra tanto espaço dentro do abraço, falta tanta coisa pra dizer que nunca consigo..

sábado, 28 de outubro de 2017

Partidas;

Sou inteira demais. Não que a vida inteira tenha sido assim, eu sempre caminhei achando que faltavam pedaços, que alguém chegaria e me completaria, que quem partisse levaria muito de mim e me deixaria incompleta. Hoje, aprendi que sou inteira demais para sentir falta de quem foi embora PORQUE QUIS. Eu tenho exercitado a maturidade de desejar boa sorte a quem vai, a quem precisa ir e quem não quer mais ficar. 

Não faço ninguém refém, nem faço showzinhos para prender quem quer ir, liberto e me sinto livre também. Porque não há espaço na minha vida para quem não quer permanecer. Tem tanta gente querendo chegar, ocupar espaço, me fazer bem. Tem tanta gente que valoriza o lugar e quer ficar perto. Por que eu devo ficar machucando meu amor próprio, minha dignidade e respeito por mim mesmo? Não faz mais sentido. 

Quer ficar? Vai ter o melhor de mim. Quer ir? Poxa, se cuida, tá? E não aceito dizer que são sentimentos fracos, que é falta de luta, não, não, não. É apenas a consciência de que não devo exigir das pessoas o que elas não querem dar. Porque, acima de qualquer outra coisa, quem quer ficar, tenta sem precisar do outro ficar encarcerando. O que eu faço? Demonstro, me esforço, faço bem, mas se não quer ficar...sou a primeira a chamar o Uber e ajudar com as malas. Boa viagem. 

VF.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Insônia;

Acordo assustada, como se eu tivesse sonhado que caí de um penhasco. Não sinto a dor da queda, só sinto as batidas aceleradas do meu coração. Olho ao redor, não há nada além de colchão, travesseiros e cobertores. Não há mais ninguém em minha cama que não seja eu. E olha que caberia. Na cama, no dia-a-dia, na vida. Caberiam todos os seus centímetros, todas as suas manias, todas as suas qualidades e defeitos. Suas roupas no meu guarda-roupa, seus perfumes junto com os meus, sua bagunça misturando-se a minha. Mas, de certa forma, optamos por ser sozinhos. Parece estranho dizer que escolhemos. Quem em sã consciência escolheria abrir mão das guloseimas e Netflix aos sábados à noite? Do bom dia preguiçoso aos domingos de manhã? Do namoro sob a luz da lua às sextas de madrugada? Das visitas surpresas às terças à noite? Do jogo de futebol assistido as quartas? Do café da manhã compartilhado as quintas que estariam cada vez mais constantes?  

Talvez eu fosse realmente mais feliz enquanto sua cabeça repousasse no meu colo. Enquanto nossos risos se fizessem ouvir a km de distância. Enquanto ensopássemos o banheiro, mesmo tendo box. Enquanto nossas roupas se emaranhassem no chão, exatamente como nossos corpos encaixam-se na cama. Enquanto meu RG morasse, dia sim, dia não, dentro da sua carteira. Enquanto o jantar era feito pra dois. Enquanto nossos olhos se cruzassem dia após dia. Noite após noite.

Talvez não fosse o momento. É estranho pensar que mesmo existindo tanto amor, não dá pra ficar com o amor de nossas vidas. 

Levanto, pego minhas coisas e vou em direção ao sofá. É preciso fugir daquele ambiente sombrio. Vazio. Ligo a TV para ver se algum barulho afasta a lacuna que se estabeleceu em meu coração. Nada parece fazer muito sentido. Pessoas falando, indo e voltando, encontro-me perdida mais uma vez em meus pensamentos. 

Uma guerra de almofadas. Um beijo ao chegar do trabalho. Um abraço de 15 minutos. Conversas sobre como foi o dia. Um programa chato na TV, mas que não faria diferença alguma, já que minha concentração estaria toda voltada a você. Colocar um filme que não iriamos ver. A sensação de paz apenas por você estar aqui. Adormecer em seus braços depois de um dia longo, difícil. 

Pego o cobertor e me cubro. Como se fosse possível aquecer o coração da Nevasca que se aproxima e se esconder do quanto ela assombra e machuca. O sentimento é sempre o mesmo. Vazio. As noites são sempre iguais. Acordar infinitas vezes procurando por você. Os dias passam parecidos. Fuga. A cabeça entra em parafuso. Por que? 

O corpo está cansado. A mente está cansada. Você está cansado.
Mas o sentimento não sai. Não muda. Não esvai. 

Você tenta dormir rezando pro inverno passar, não vendo a hora do coração se aquecer quando um dia de sol chegar. 
E eles sempre chegam. Só.. saiba aproveitar!



sábado, 12 de agosto de 2017

A menina e o violão;

É triste porque eu olho pra trás e sinto tanta falta de quem éramos. Me vem a tristeza por você ter decidido me deixar aqui sem ao menos olhar pela fresta da porta pra saber como a pancada me deixou. É triste porque de um dia pro outro eu perdi todas as minhas certezas. Porque eu sempre acreditei que fosse pra sempre. Porque eu fiquei sem chão, sem ar, nem norte. É triste porque o amor não foi suficiente. Porque eu quis tanto, suportei tanto, lutei tanto e, eu juro, tudo valia a pena para mim, mas, por mais que houvesse tanta vontade, a gente não manda no coração de ninguém. E não dá pra implorar. Não dá pra pedir, chorar, espernear. Se o outro não quer, simplesmente não dá. Eu ouço todos dizendo “talvez não era pra ser” e eu acho isso tão covarde. É colocar o amor nas mãos do destino. Era pra ser porque a gente é que faz ser. Mas não foi. Mas não fizemos. Nem tudo depende da gente por isso aceitei sua decisão. Acordo todo dia sentindo como se tivesse levado um soco no estômago. Digo baixinho pra mim: vai passar. Eu quero tanto te esquecer. Te fragmentar em pedaços tão pequenos que se perderiam dentro de mim. Ao mesmo tempo, eu tenho tanto medo disso. Quando me dizem: “você vai conhecer alguém melhor”, meu coração grita: mas eu não queria alguém melhor, queria ele. Eu não queria entrar pra lista de pessoas que se amam, mas não conseguiram ficar juntas. Não queria que fosse mais um. Não queria que fosse passado. É triste querer superar, mas ter medo do que vai restar depois disso. É triste aceitar o fim, mas aceito. Estou vendo com os olhos da dor, mas seguirei. Isso também passa, eu creio. Isso também passa.